Começaram
discutindo sobre o Ensaio Aberto. Quais eram as críticas e percepções que eles
tiveram enquanto estavam em cena, e que ouviram depois de se apresentarem?
Alguns pontos foram levantados:
-Corpo em fluxo: Tiveram
dificuldade de manter a fluidez em suas movimentações e gestos, não
sustentando, mantendo e prosseguindo no mesmo ritmo as ações escolhidas dando a
sensação de quebra de ação de um personagem, fazendo assim que os personagens também
perdessem uma busca definida por seus objetivos;
-Repetir o ensaiado: Muitas coisas
acabaram por ser modificadas em cena, durante a apresentação, marcações não
foram seguidas, e maneiras de fazer foram mudadas;
-Tônus: Alice falou que os corpos
estavam muito languidos e naturalistas pra uma peça que não é constituída
assim, que eram muitas vezes corpos pra TV, corpos que poderiam servir em
outras peças, montagens ou textos, mas que para esse trabalho o corpo precisa
de mais tônus, gestos mais alongados, fluídez em pulsações extracotidianas,
maior gasto de energia nas movimentações, e palavras.
Depois alguns
atores, principalmente Lucas Isaksson falaram sobre a falata de uma estética
definida. Alice Stefânia respondeu que essa não era uma busca dela nesta peça,
haviam parametros determinados como os citados acima, mas que o contemporâneo
já não necessita de pureza estética.
A diretora,
junto a Sulian Viera que também estava no ensaio, comentou sobre o desejo de
ser a personagem e ter suas crenças, mesmo que elas sejam contrárias as crenças
políticas da atriz ou ator que a interpreta.
Ainda foi
comentado sobre ter domínio dos objetos usados, e o domínio de suas
movimentações na cenográfia, mudanças de dinamica, e dinamicas mais energicas,
e os pés mais fincados ao chão, que haviam movimentos e caminhadas
despropositadas, ou movimentos que dispersavam o foco da cena.
Às 16 horas
começaram a fazer uma passagem das músicas, um “ensaio geral” das músicas.
Passando todas as músicas pensando na sonoridade, musicalidade, ritmo, imagem
da cena, interpretação na entrada da música, durante e na sua finalização,
trabalho de afinação e interpretação de quem canta, e do coro, e como
distribuir esses focos.
No vídeo acima vemos um trecho da passagem da música "Fado Tropical" tendo com protagonista da canção Mathias de Albuquerque, interpretado por Henrique Raynal. Percebemos como a movimentação do coro, sua entrada energica no começo da canção e suas ações que tornam a cena como um todo mais instigante e visual. O coro deve ter ações conjuntas no espaço, ritmo comum, e formas parecidas de trabalhar a espacialidade, porém gestos particulares e contrapontos também são construídos de forma criar tensão na cena dando espaço para antagonismos perante o protagonista, como é o caso da persona ator de Yuri Fidelis quando abre a revista fazendo referência a situações políticas e midiáticas, de maneira equilibrar os dois lados do palco, com o protagonista Mathias e a referência que o antagoniza.
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